Amor que transforma: apadrinhamento muda a vida de crianças e adolescentes
Você sabia que pode transformar a vida de uma criança ou adolescente sem a necessidade de adoção formal? O Projeto Padrinhos, no Rio Grande do Norte, oferece a oportunidade de apadrinhar afetivamente, profissionalmente ou financeiramente jovens que vivem em instituições de acolhimento. Desde 2022, mais de 40 crianças e adolescentes já foram beneficiados por esse ato de carinho e responsabilidade.
A vida de uma criança ou de um jovem pode ser completamente transformada pela presença de um padrinho ou madrinha. Este não é um processo de adoção formal, mas sim uma forma de oferecer apoio e afeto a crianças e adolescentes que, muitas vezes, enfrentam remotas chances de serem reintegrados às suas famílias de origem ou de encontrarem um novo lar adotivo.
O Projeto Padrinhos tem proporcionado não apenas um alento emocional, mas também oportunidades educacionais, profissionais e financeiras a essas crianças. Em cada modalidade de apadrinhamento — afetivo, profissional ou provedor —, os padrinhos se tornam figuras importantes e de referência, capazes de oferecer muito mais do que presentes ou momentos agradáveis: eles oferecem esperança.
Mireille Silvino, uma das coordenadoras do Projeto Padrinhos em Natal e Parnamirim, detalha a missão do projeto: “Nosso objetivo é proporcionar a crianças e adolescentes, oriundos das diversas Comarcas do estado do Rio Grande do Norte, a construção de laços externos que possam integrá-los melhor à sociedade, através do apoio afetivo, material ou profissional.”
A iniciativa, que começou em 2019, já formou quatro turmas de padrinhos e madrinhas, oferecendo suporte a mais de 40 crianças e adolescentes, em um trabalho conjunto com a ONG Acalanto e o Poder Judiciário do RN.

O projeto nasce da necessidade de atender a um público específico, muitas vezes esquecido: crianças e adolescentes que vivem em instituições de acolhimento com poucas chances de adoção. A legislação brasileira já contempla programas de apadrinhamento, como previsto na Lei 13.509/2017, que alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e no Provimento nº 234, de 12 de maio de 2022, que institucionalizou o projeto no Rio Grande do Norte.
Mas como funciona o apadrinhamento? Existem três modalidades distintas, cada uma delas projetada para diferentes perfis de padrinhos e necessidades dos apadrinhados:
- Apadrinhamento Afetivo: Padrinhos e madrinhas afetivos são aqueles que dedicam tempo e atenção a uma criança ou adolescente. É uma forma de fornecer amor e orientação, como em uma relação familiar.
- Apadrinhamento Provedor: Aqui, o padrinho ou madrinha oferece suporte material ou financeiro, podendo financiar cursos, tratamentos médicos ou atividades esportivas e de lazer.
- Apadrinhamento Profissional: Profissionais de diversas áreas, como saúde, educação e terapias, podem contribuir com seu conhecimento, auxiliando no desenvolvimento dos jovens.
Janine Maribondo e Jederson Pontes, ambos professores, são exemplos de padrinhos afetivos. Ao entrar na terceira turma do projeto em 2022, eles encontraram a oportunidade perfeita para canalizar seu desejo de contribuir socialmente.
“Foi match desde o primeiro dia de vínculo”, comenta Janine sobre sua relação com a afilhada de 14 anos. Com a orientação dos dois, a jovem superou dificuldades emocionais e acadêmicas, ingressando em primeiro lugar no curso de sua escolha no IFRN e passando por um novo processo de adoção bem-sucedido.
“O Projeto Padrinhos nos mudou, nos deixou resilientes e mais pacientes. Nos ajudou, inclusive, a ter uma melhor relação com os nossos alunos e parentes adolescentes. Além de ter nos dado a oportunidade de ter um propósito na vida, o de estar presente para alguém. Muitos desses adolescentes só precisam de alguém que os ouça, que se interesse por eles, que os leve a um lugar diferente para conversar. Eles só precisam de paciência, honestidade e disponibilidade.”, conta Janine, que se sente realizada ao ver o crescimento da afilhada.
Outros padrinhos, como Rejane Bruno, que atua na modalidade profissional, também relatam experiências transformadoras. Rejane é pedagoga e psicopedagoga, e viu uma de suas afilhadas concluir o ensino médio e o curso de cuidadora de idosos inspirada por seu trabalho.
“É muito emocionante acompanhar os sonhos dessas crianças e adolescentes sendo construídos”, revela. Ela acredita que o projeto faz dela uma profissional e uma pessoa melhor: “Esse projeto me torna mais sensível às vulnerabilidades dessas crianças, que agora se veem como sujeitos de direitos.”
Larissa Fontes, madrinha provedora, também compartilha uma experiência de apoio. Embora não tenha contato direto com os acolhidos, ela contribui financeiramente para atividades que fazem a diferença no dia a dia das instituições.
"A gente apresenta a documentação para ser aprovada pelo TJRN e pelo Acalanto e, depois, assina um termo de compromisso. Feito isso, ficamos à disposição para demandas que são repassadas pelas unidades de acolhimento diretamente para a coordenação do Apadrinhamento, feita pelo Acalanto. A coordenação entra em contato conosco para saber se podemos atender ao pedido, se o valor do serviço é compatível com nossa possibilidade etc. É muito simples e cômodo para os padrinhos e muito importante para as crianças e adolescentes acolhidos", explica Larissa.
Um dos momentos que mais a marcou foi quando auxiliou na compra de chuteiras para um adolescente com síndrome de Down, que participava de uma escolinha de futebol.
Ela relembra uma outra ocasião especial, quando foi solicitada a doação de um celular para ser compartilhado entre os adolescentes de uma instituição. "Comprei um smartphone novo e quando a equipe veio buscar, ficou entusiasmada porque os adolescentes nem iam acreditar que agora poderiam usar um telefone novo para navegar na internet. É uma coisa tão simples, à qual os adolescentes da classe média têm acesso facilmente, e aqueles adolescentes teriam que compartilhar um único telefone e, ainda assim, seria motivo de alegria."
O programa de apadrinhamento, além de ser uma forma de apoio material, é uma ponte para preencher lacunas que o orçamento público não cobre, como a compra de itens que vão além das necessidades básicas.
"Às vezes, o valor nem é significativo para o padrinho, até porque as demandas não aparecem todo mês, então, dá pra se organizar tranquilamente, mas que não seria obtido se não fosse esse projeto porque não está no orçamento que a prefeitura prevê pra assistência desses meninos e meninas", complementa Larissa.
O impacto do Projeto Padrinhos vai além do apadrinhamento individual. Ele cria uma rede de apoio que envolve a sociedade civil e traz novos horizontes para crianças e adolescentes que, de outra forma, teriam poucas perspectivas. A cada novo padrinho ou madrinha que se junta ao projeto, uma nova história de superação começa a ser escrita.
Como apadrinhar
O projeto está sempre em busca de novos padrinhos e madrinhas. Se você deseja contribuir com o futuro de uma criança ou adolescente, seja com afeto, recursos ou seu conhecimento profissional, basta entrar em contato com a ONG Acalanto, que executa o Projeto Padrinhos.
Para participar, basta se inscrever no site euexisto.tjrn.jus.br e preencher o formulário online da região correspondente ao endereço de residência do pretendente (Formulário – Natal; Formulário – Mossoró, e Formulário – Caicó). Em Natal, as inscrições estão abertas para Turma 5, que iniciará em março de 2025.
Ao longo dos anos, o número de apadrinhamentos tem crescido, mas de forma lenta, na visão da coordenadora Mireille. Cada novo padrinho é uma peça fundamental na transformação de vidas que, muitas vezes, só precisam de uma oportunidade para florescer.
Serviço
Projeto Acalanto (Natal)
Rua Padre Pinto, 712, Cidade Alta. Natal/RN
(84) 99117-7732 (WhatsApp)
[email protected]