Maré alta alaga trecho da engorda de Ponta Negra e secretário diz que é “natural”
Natal, RN 5 de jun 2026

Maré alta alaga trecho da engorda de Ponta Negra e secretário diz que é “natural”

30 de janeiro de 2025
5min
Maré alta alaga trecho da engorda de Ponta Negra e secretário diz que é “natural”
Foto: Reprodução Live Cam Natal

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Imagens registradas pela página do YouTube “Live Cam Natal” mostraram que, nos últimos dois dias, a maré alta avançou sobre trechos da área da engorda de Ponta Negra, obra que foi recentemente concluída pela Prefeitura de Natal, com um orçamento de mais de R$ 100 milhões.

A obra, que segundo o titular da Semurb (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo), Thiago Mesquita, foi “executada como previsto” e é “perfeita do ponto de vista técnico, científico e ambiental”, já havia apresentado outros problemas antes desse do avanço da maré.

Nas duas primeiras chuvas do ano em Natal, registradas nos dias 13 e 26 de janeiro, trechos da área engordada da orla da praia ficaram alagados devido a problemas com a drenagem da obra.

Ao comentar os alagamentos, Thiago Mesquita afirmou que eles continuarão ocorrendo “uma vez ou outra” até que o sistema de drenagem seja finalizado pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra).

A drenagem das águas da chuva foi justamente um dos questionamento feitos pelo Idema (Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente) à Prefeitura de Natal para emitir a licença da obra. O órgão ambiental do Governo do Estado foi impedido de fiscalizar a construção do aterro hidráulico em razão de uma decisão judicial obtida pelo ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos).

Foto: Reprodução CBN Natal.

Em entrevista nesta quinta-feira (30) à rádio CBN Natal, Thiago Mesquita disse que o alagamento provocado pelo avanço da maré era “algo extremamente natural”, porque a engorda “não vai parar a dinâmica costeira em Ponta Negra”.

“[A dinâmica costeira] é avassaladora, é uma dinâmica que justificou, pelas próprias pesquisas e publicações científicas, realizar um aterro hidráulico. A praia de Ponta Negra continua uma praia que avança sobre o território, que vai continuar avançando. O aterro hidráulico tem a função de minorar, de minimizar os processos erosivos por causa desse avanço”, declarou.

Ele ressaltou que foi utilizado 1,3 milhão de metros cúbicos de areia, extraída de uma jazida “que tem um material espetacular”, numa área de 4,6 quilômetros da praia.

A jazida utilizada para extrair a areia usada na obra da engorda, entretanto, não tinha licenciamento ambiental. A jazida anterior, que havia sido licenciada pelo Idema, não pode ser usada porque os sedimentos retirados dela não eram adequados para serem usados na praia.

Desde o início da obra da engorda, frequentadores da praia têm reclamado da dificuldade de andar na orla em razão do surgimento de estruturas conhecidas como rodolitos, que são formações brancas e rígidas, resultado de algas calcárias.

Apesar disso, o secretário assegurou que o material da jazida “é espetacular” e “tem uma resistência maior nos processos naturais erosivos”, além de ser “uma areia adequada depois para pisoteamento e para recreação de quem frequenta a praia”.

Secretário admite que engorda continuará sendo alagada

Foto: Reprodução Live Cam Natal.

De acordo com o secretário, em fevereiro haverá outras marés maiores que as registradas nos últimos dois dias. “Naturalmente, o mar vem para cima do continente, num local pontual, específico, num fenômeno natural”, explicou, acrescentando que a população foi avisada que o aterro hidráulico “estaria coberto por água diariamente” por causa desse “fenômeno da dinâmica costeira”.

“Nós sempre divulgamos, na simulação matemática do projeto, que na maré alta nós teríamos uma faixa de aria de 50 metros [de faixa de areia] e na maré baixa de 100 metros, colocando para a sociedade que 50% do aterro hidráulico diariamente estaria coberto por água”, completou.

Obra é sustentável, garante secretário

Thiago Mesquita também afirmou que a obra “representa o conceito verdadeiro de sustentabilidade”, que “alguns querem deturpar”, numa indireta aparentemente endereçada aos críticos da falta de fiscalização ambiental da construção do aterro hidráulico.

“A sustentabilidade não é preservação por preservar, não é somente focar na preservação”, afirmou o secretário, acrescentando que a engorda “garante a preservação do Morro do Careca” e devolve à praia as condições das décadas de 1990 e 2000, “trazendo uma praia parecida com o que nós tínhamos” em Ponta Negra.

Em outra indireta aos críticos da forma como a obra foi executada, sem fiscalização ambiental, o secretário disse que “a gente não pode deixar que gente que quer desconstruir a verdade, que quer dar ênfase a ajustes que são necessários em qualquer tipo de empreendimento, público ou privado, dessa magnitude no ambiente de dinâmica costeira, passar impressão, começar a vender uma meia verdade, que para mim é mentira, as famosas fake news, de que a obra não foi o sucesso esperado, de que a obra não vai trazer o retorno esperado”.

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