Mestre Felipe de Riachuelo, um defensor da cultura popular, morre aos 74 anos
Natal, RN 6 de jun 2026

Mestre Felipe de Riachuelo, um defensor da cultura popular, morre aos 74 anos

29 de janeiro de 2025
1min
Mestre Felipe de Riachuelo, um defensor da cultura popular, morre aos 74 anos
Mestre Felipe de Riachuelo (Foto: Fernando Azevêdo)

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José Felipe da Silva, ou Mestre Felipe de Riachuelo, como era conhecido, morreu na noite desta terça-feira (28), aos 74 anos, em Natal. Ele enfrentava um câncer de pele e foi vítima de três paradas cardíacas após passar por uma cirurgia na mão direita.

No dia 16 de janeiro deste ano, a reportagem da Agência Saiba Mais entrevistou Mestre Felipe no lançamento do livro “Teatro de Bonecos Popular Potiguar” (Escribas, 2024), do professor André Carrico. As informações sobre a morte do mestre foram divulgadas por familiares e pelo professor André. 

O enterro será na manhã desta quinta-feira (30), em Riachuelo, município potiguar onde ele aprendeu a brincar de teatro de João Redondo.

Um tradicional defensor do João Redondo

Mestre Felipe definiu-se à reportagem como um brincante tradicional, dedicado desde a adolescência àquela arte que ele tanto defendeu e ajudou a popularizar no Rio Grande do Norte, no Nordeste e no Brasil. 

Em 2015, acompanhou o reconhecimento da manifestação cultural – teatro de bonecos popular – pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília (DF). Foi um guardião da tradição de João Redondo no RN e um de seus maiores representantes.

Na reportagem, escrevemos que o Mestre Felipe estava de repouso da brincadeira, pois aguardava essa cirurgia na mão. Tratava-se do câncer de pele. E ele nos contou planos de viagens Brasil afora para difundir a cultura popular.

O mestre defendeu a história contada do jeito original, cheia de sátiras e brincadeiras, que provoca risos e não tem limites. “Eu tenho muita coisa pra dizer do João Redondo”, disse. E tinha mesmo. Tudo o que ele compartilhou com a reportagem pode ser lido neste link.

Decerto, ele ainda tem muita história para contar, bonecos para botar na mala e memórias para dividir”, escrevemos, impossibilitados de poder prever o futuro.

Último encontro

O último encontro do Mestre Felipe com outros calungueiros e pessoas envolvidas com a cultura popular foi no lançamento do livro. Entre elas, a pesquisadora Graça Cavalcanti, que se despediu do amigo. “Já estou com saudades, mestre! Gratidão por ter estado desde o início da criação da APOTB [Associação Potiguar de Teatro de Bonecos], pela parceria, disponibilidade e presença na conclusão do Registro do Teatro de Bonecos Popular do Brasil, como Patrimônio Cultural do Brasil, em Brasília, nos representando, e por sua defesa constante em prol do segmento”, escreveu nas redes sociais.

Encontro durante o lançamento do livro / Imagem: cedida por Graça Cavalcanti

“Adorei revê-los da última vez, ficando apenas o cumprimento de seu último convite para comermos uma galinha com feijão verde, para sua colheita em breve. Siga brincando nesse plano divino mestre! Imagino a festa que está te aguardando com os outros mestres que fizeram a viagem antes… Obrigada por tudo!”, continuou.

Resistente às mudanças na história contada, o mestre demonstrou desconfiança quanto ao futuro do teatro original de João Redondo. Mas seu legado permanece. Está inscrito no livro acima mencionado, em pesquisas acadêmicas, em reportagens na imprensa e no imaginário popular. 

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