No Grito da Terra, movimentos levam pauta do impacto das renováveis
No encerramento do 21º Grito da Terra nesta quinta-feira, 27, na Governadoria, diversas entidades apresentaram uma série de reivindicações à governadora Fátima Bezerra (PT). Dentre elas, estão os movimentos que lutam pelos direitos das comunidades tradicionais e também denunciam os impactos socioambientais das energias renováveis no estado, lutando por uma transição energética que seja realizada de forma justa.
Durante o encontro, os movimentos entregaram uma cartilha à governadora Fátima que reivindica a regulamentação dos territórios de comunidades tradicionais, como forma de garantir a segurança e a existência deles. O documento é de nível nacional e, na sua construção, contou com mais de 1 milhão de assinaturas de apoio.
“A vida e a memória das comunidades – dos indígenas, quilombolas, ciganos, comunidades ribeirinhas e outros grupos sociais vulneráveis – devem ser protegidas pelo Estado, que deve reconhecer proteger todos os seus direitos, para que esses povos e comunidades tradicionais continuem a existir”, defende a pescadora Rosangela Silva.
Além disso, ainda no encontro, o Movimento dos Atingidos pelas Renováveis (MAR) entregou o “Manifesto das Vozes dos Territórios por uma Transição Energética Justa e Popular”, que é assinado por 79 entidades e relata os impactos que os empreendimentos de energias renováveis têm causado.
O material denuncia a “profunda violação dos direitos humanos, sociais e da natureza” causada pela forma como o modelo de transição energética está sendo dirigido. Rosangela Silva, que participa da construção do MAR e entregou o documento à governadora na ocasião, ressalta que os movimentos não são contra o desenvolvimento do país, mas lutam para serem ouvidos pelos governos, buscando uma transição energética que escute diversos grupos que possam ser impactados no processo.
“Defendemos uma transição energética justa e popular que considere processos politicamente democráticos, economicamente solidários, culturalmente dialógicos e ecologicamente sustentáveis, na qual todos os saberes tenham chances iguais de expressarem as visões e práticas; que proteja nossas águas e terras, o nosso território, que respeitem a nossa biodiversidade, nossa cultura e modo de vida; que valoriza as mulheres, as juventudes, as crianças e os idosos; que utiliza princípios agroecológicos, desenvolve alternativas sustentáveis de convivência com o semiárido e nos biomas da Caatinga e Costeiro; que considera o direito à produção de alimentos e à cultura alimentar, às nossas tradições e ancestralidades, contrapondo-se às estruturas que promovem o racismo ambiental e social estruturado no sistema capitalista, colonial e patriarcal”, declara o manifesto.
No Grito da Terra, Fátima desceu a rampa para apresentar ações ao campo
A governadora Fátima Bezerra (PT) desceu a rampa e dialogou diretamente com os trabalhadores no encerramento do 21º Grito da Terra, que encerrou nesta quinta-feira (27) na Governadoria.
A mobilização é organizada pela Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura (Fetarn) para destacar o trabalho da agricultura familiar na produção de alimentos, na segurança alimentar e nutricional, na conservação ambiental e no desenvolvimento do nosso estado e do país. O evento também busca reivindicar dos governos a realização de ações e políticas para o desenvolvimento do setor.
Na ocasião, Fátima anunciou uma série de ações e políticas públicas já tomadas em prol dos trabalhadores rurais, incluindo o investimento de R$ 15 milhões, provenientes do Governo Federal, para a construção de cisternas.
Após a reunião com representantes de entidades, que apresentaram uma série de reivindicações, a governadora desceu a rampa da Governadoria do Estado para se juntar à mobilização social.