Cidade do RN recebe primeira simulação lunar do hemisfério sul
A primeira simulação lunar no hemisfério sul acontece em Caiçara do Rio do Vento, município localizado a cerca de 100 km de Natal, entre os próximos dias 29 de maio e 1 de junho. A ação é realizada pela Habitat Lunar, ação da startup Inovatix Habitat Marte, incubada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A atividade comemora a chegada do homem à lua, que aconteceu no ano de 1969.
A estação de simulação espacial Habitat Lunar funciona no Aerospace Complex, zona rural de Caiçara do Rio do Vento. A atividade ocorre juntamente com a estação espacial Habitat Marte que, entre as 5 estações existentes no mundo, é a única no Brasil análoga ao planeta Marte em operação no Hemisfério Sul.
Financiada com recursos do programa Centelha e apoiada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a estação é uma ação do projeto Inovação e Sustentabilidade Espacial e Formação de Astronautas, pensado pela startup.
Julio Rezende é professor do Departamento de Engenharia de Produção da UFRN e coordenador da iniciativa. Ele explica que, com a experiência do Habitat Marte, já foram desenvolvidos cerca de 200 protocolos e pesquisas que também serão aplicados no Habitat Lunar. Mas o que é uma simulação lunar e qual sua importância? Rezende explica:
“Nesta simulação lunar, a gente vai realizar vários protocolos, rotinas e atividades que podem estar ocorrendo futuramente em uma estação na lua. Esse tipo de experiência é chamado de Habitat espacial análogo ou Missões espaciais análogas. A gente utiliza esse termo internacional para designar essas missões de simulação espacial que são realizadas na Terra”, explica o professor.
Rezende ressalta que os protocolos de simulação são bem variados, envolvendo as atividades que acontecem dentro da estação e as que ocorrem fora dela – quando se usa uma roupa que simula a do astronauta.
De acordo com o professor, esses métodos estão relacionados a vários temas, como “saúde, engenharia, segurança, alimentação, comunicação, atividades subaquáticas e ainda na área de gestão. Então são vários temas diferentes que são apoiados a partir desses protocolos, que são operacionalizados na missão e são eles que dão a característica da missão de simulação espacial”.
Estão convidadas para a primeira simulação lunar do Hemisfério Sul pessoas de diferentes formações que tenham curiosidade no assunto, desde estudantes a profissionais e pesquisadores. Rezende reforça que são bem-vindas pessoas de diferentes idades que tenham interesse pela área espacial e querem aprender sobre como é o trabalho dos astronautas e o que eles estariam fazendo em uma estação localizada na Lua.
O objetivo do Habitat é promover pesquisa e educação de qualidade relacionada ao espaço, sustentabilidade, ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Rezende, coordenador da iniciativa, aponta ainda que uma das motivações do projeto vem a partir do convite que a iniciativa, da UFRN, recebeu para colaborar com a Missão Artemis, da NASA, que pretende levar os humanos de volta à Lua ainda nesta década.
“ O Habitat Lunar é motivado também porque o Brasil agora é signatário do programa Artemis, da NASA, de retorno à Lua. E nesse acordo que foi firmado no programa Artemis, a participação do Brasil vai ser através da Agência Espacial Brasileira e a Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária]. E nós aqui da UFRN fomos convidados para fazer parte desse grupo, colaborando nessa parte do habitat análogo, imaginando, antes, as variedades de batata doce e grão de bico, que vão estar sendo estudados e adaptados para o espaço. Eles vão passar em missões análogas e vai ser testado, nessas missões, também esse cultivo. E o Habitat Lunar vai estar disponível para essa atividade. Então, uma das motivações é essa questão da sintonia e a possibilidade que esse programa lunar venha se realizar agora nos próximos anos a partir da Missão Artemis da NASA.”