Em cinco anos, câncer matou 18 mil pessoas no RN
Segunda principal causa de mortes no Rio Grande do Norte, o câncer é um problema de saúde pública. Neste dia 4 de janeiro, lembra-se o Dia Mundial do Câncer, que alerta para os cuidados e a prevenção dessa doença. No estado potiguar, o câncer, em suas diversas manifestações, matou 18.052 pessoas de 2019 a 2023.
Os dados referentes à série histórica dos últimos cinco anos são do Boletim Epidemiológico do Câncer, da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN). Dos 53.480 casos identificados entre 2019 e 2023, as mulheres foram as mais afetadas – mais de 30 mil descobriram viver com a doença, enquanto mais de 23 mil homens enfrentaram câncer.
Contudo, aconteceu o oposto no número de mortes. Morreram 9.153 homens (51%), ante 8.899 mulheres (49%). O tipo mais letal foi o câncer de pulmão, que matou 2.264 pessoas entre 2019 e 2023, representando 13% das mortes. Em seguida, vieram os cânceres de mama (8%) e de próstata (8%), câncer de estômago (7%) e de cólon e reto (6%).
A Sesap/RN destacou o aumento no número de mortes por câncer de mama em todos os anos analisados – cresceu 25% em 2023, em comparação a 2019. No público feminino, o câncer de mama foi o tipo mais comum, com 8.047 casos (27% do total nesse sexo). O câncer de colo do útero foi o segundo, com 2.292 registros (8%), seguido do câncer de tecido conjuntivo e moles com 1.718 (6%), estômago 1.570 (5%) e cólon e reto com 1.151 (4%).
Já nos homens, houve 3.226 casos de câncer de próstata (14% do total nesse sexo). Em segundo lugar, o câncer de estômago teve 2.535 casos (11%), seguido por tecidos conjuntivo e moles com 2.056 (9%), cólon e reto com 1.133 (5%), brônquios e pulmões com 845 casos (4%).
Houve mais mortes na faixa etária entre 60 a 80 anos ou mais (71% das mortes por câncer). Os óbitos em crianças e adolescentes representaram 2% e, em adultos, 27% dos óbitos.
Cenário é complexo, diz Sesap/RN
“O cenário epidemiológico do câncer no RN é complexo e demanda uma intensificação das políticas públicas, especialmente para otimizar medidas preventivas, tanto primárias quanto secundárias”, avaliou a Sesap/RN.
A pasta explicou que, comparando os sexos, não houve muita variação quanto aos óbitos. Porém, houve uma diferença na análise das faixas etárias. A população com idade a partir dos 60 anos foi a mais afetada.
A 7ª Região de Saúde, parte da Grande Natal, teve a maior taxa de incidência de câncer, mas também a menor taxa de mortalidade, o que “provavelmente se deve ao fato de que essa região possui maior estrutura e acesso aos serviços de saúde”, pontuou a Sesap/RN.
“Em relação à prevenção primária, é essencial implementar programas de educação e conscientização sobre hábitos de vida saudáveis, realizar ações de controle e redução do tabagismo e alcoolismo, além de incentivar a prática regular de atividades físicas e a adoção de uma alimentação balanceada”, disse a pasta.
“Quanto à prevenção secundária, é crucial ampliar os programas de rastreamento de câncer, como mamografia e colonoscopia, especialmente para a população acima dos 60 anos”, completou.
Atitudes de prevenção
Segundo informações do Ministério da Saúde (MS), existem mais de 100 tipos de câncer, que são doenças em que há crescimento desordenado de células, as quais dividem-se e agrupam-se formando tumores que se espalham pelo corpo.
Quanto à prevenção, o órgão ministerial destaca algumas atitudes. Primeiro, recomenda que a população não fume. O câncer de pulmão, cabe destacar, foi o tipo mais letal no RN nos últimos cinco anos, e no Brasil ele também é alarmante.
Segundo a pasta, a alimentação saudável protege contra o câncer, bem como é importante manter o peso corporal adequado e exercícios físicos regulares. Em relação aos recém-nascidos, a amamentação exclusiva até os seis meses de vida protege as mães contra o câncer de mama e as crianças contra a obesidade infantil.
O MS recomenda que mulheres entre 25 e 64 anos façam um exame preventivo ginecológico a cada três anos e que as meninas de 9 a 14 anos e os meninos de 11 a 14 anos sejam vacinados contra o HPV. Além disso, são formas de prevenção evitar a ingestão de bebidas alcoólicas e a exposição ao sol entre 10h e 16h.