Mestre Felipe de Riachuelo, um defensor da cultura popular, morre aos 74 anos
José Felipe da Silva, ou Mestre Felipe de Riachuelo, como era conhecido, morreu na noite desta terça-feira (28), aos 74 anos, em Natal. Ele enfrentava um câncer de pele e foi vítima de três paradas cardíacas após passar por uma cirurgia na mão direita.
No dia 16 de janeiro deste ano, a reportagem da Agência Saiba Mais entrevistou Mestre Felipe no lançamento do livro “Teatro de Bonecos Popular Potiguar” (Escribas, 2024), do professor André Carrico. As informações sobre a morte do mestre foram divulgadas por familiares e pelo professor André.
O enterro será na manhã desta quinta-feira (30), em Riachuelo, município potiguar onde ele aprendeu a brincar de teatro de João Redondo.
Um tradicional defensor do João Redondo
Mestre Felipe definiu-se à reportagem como um brincante tradicional, dedicado desde a adolescência àquela arte que ele tanto defendeu e ajudou a popularizar no Rio Grande do Norte, no Nordeste e no Brasil.
Em 2015, acompanhou o reconhecimento da manifestação cultural – teatro de bonecos popular – pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília (DF). Foi um guardião da tradição de João Redondo no RN e um de seus maiores representantes.
Na reportagem, escrevemos que o Mestre Felipe estava de repouso da brincadeira, pois aguardava essa cirurgia na mão. Tratava-se do câncer de pele. E ele nos contou planos de viagens Brasil afora para difundir a cultura popular.
O mestre defendeu a história contada do jeito original, cheia de sátiras e brincadeiras, que provoca risos e não tem limites. “Eu tenho muita coisa pra dizer do João Redondo”, disse. E tinha mesmo. Tudo o que ele compartilhou com a reportagem pode ser lido neste link.
“Decerto, ele ainda tem muita história para contar, bonecos para botar na mala e memórias para dividir”, escrevemos, impossibilitados de poder prever o futuro.
Último encontro
O último encontro do Mestre Felipe com outros calungueiros e pessoas envolvidas com a cultura popular foi no lançamento do livro. Entre elas, a pesquisadora Graça Cavalcanti, que se despediu do amigo. “Já estou com saudades, mestre! Gratidão por ter estado desde o início da criação da APOTB [Associação Potiguar de Teatro de Bonecos], pela parceria, disponibilidade e presença na conclusão do Registro do Teatro de Bonecos Popular do Brasil, como Patrimônio Cultural do Brasil, em Brasília, nos representando, e por sua defesa constante em prol do segmento”, escreveu nas redes sociais.

“Adorei revê-los da última vez, ficando apenas o cumprimento de seu último convite para comermos uma galinha com feijão verde, para sua colheita em breve. Siga brincando nesse plano divino mestre! Imagino a festa que está te aguardando com os outros mestres que fizeram a viagem antes… Obrigada por tudo!”, continuou.
Resistente às mudanças na história contada, o mestre demonstrou desconfiança quanto ao futuro do teatro original de João Redondo. Mas seu legado permanece. Está inscrito no livro acima mencionado, em pesquisas acadêmicas, em reportagens na imprensa e no imaginário popular.
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