“Estão mentindo para você!”. Com essa frase direta, assertiva, começa o vídeo publicado no último sábado (18) pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), para defender a iniciativa do Governo Lula de aumentar a fiscalização sobre movimentações financeiras pela via do Pix. Mais que isso: para dar uma resposta às críticas feitas pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), em postagem que teve imensa gigantesca repercussão nacional e levou o governo Lula a cancelar a medida tomada pela Receita Federal para fiscalizar o uso do Pix.
O vídeo de Erika ultrapassou as 100 milhões de visualizações na tarde da segunda-feira (20). Números bem próximos dos conseguidos pelo vídeo de Nikolas. Mas ainda que saiba da importância dos números, principalmente em tempos de algoritmos de redes sociais e engajamento, não é sobre eles que esse texto pretende se deter.
O que me encantou no vídeo da deputada foi sua objetividade. Claro que nele tudo funciona: a estética, a iluminação, a oratória de Erika. Mas o acerto maior está na forma: direto ao assunto. “Estão mentindo para você”. Para começar, antes mesmo de um bom dia, um bom tarde, um olá pessoal. Sem recorrer aos eufemismos típicos da esquerda, que muitas vezes se perde em rebuscamento para dizer coisas positivas e acaba não atingindo quem interessa, a população.
Recordo com saudade do amigo jornalista José Pinto Júnior, que na campanha presidencial de 2018, reclamava, apesar de admirá-lo, da prolixidade de Fernando Haddad que segundo ele, falava ao eleitor como se fosse um professor da USP (o que ele efetivamente era). Enquanto Bolsonaro, tosco e limitado, falava de uma maneira que o “povão” não apenas entendia mas queria ouvir. Haddad falava “precisamos de um amplo debate com a sociedade e os entes federativos para resolver a questão da segurança pública”. Bolsonaro dizia: “Vamos prender os bandidos que assaltam sua casa, talkei?”. Deu no que deu, como vimos.
Sobre semiótica e comunicação popular, sabemos que Lula é mestre nesse quesito. Sempre se comunicou bem com a população média, o que lhe garantiu vitórias eleitorais e liderança política. Mas Lula não dá conta do recado sozinho em um mundo bem diferente de quando ele foi presidente (entre 2003 e 2010), onde a comunicação digital tem tanta importância quanto o carisma pessoal. Nesse ponto, o núcleo duro de Lula (Haddad, Rui Costa, Paulo Pimenta, Jacques Wagner, Gleisi) é ruim de jogo de cintura em comunicação rápida e direta. Felizmente a nova geração, como a deputada federal potiguar Natália Bonavides, o deputado federal paulista Guilherme Boulos e a citada Erika Hilton conseguem ter essa compreensão sobre comunicação para fazer enfrentamento à Direita.
Sobre o restante do vídeo de 4 minutos da Erika, é necessário dizer que ela desmonta com argumentos poderosos mas de fácil compreensão, a “argumentação” de Nikolas no vídeo que ele divulgou. A Direita fala de maneira fácil com o eleitor/cidadão/internauta. Usa de termos simples e remete sempre a medos e questões elementares: comida, dinheiro, bolso, liberdade, raiva, preconceito. Cabe à Esquerda ser direta e saber dos meandros da comunicação veloz em tempos de redes, como fazem o deputado federal André Janones, em âmbito nacional, e o comunicador Silvério Filho, a Raposinha, em terras potiguares.
Sem o domínio da comunicação nas redes sociais e zap, a eleição de 2026 ficará mais difícil para a Esquerda. A hora de agir nesse campo é agora! O vídeo de Erika dá as coordenadas para isso. Mais objetividade e menos eufemismos. Por falar nisso, está na hora de chamarmos “fake news” pelo nome que é: mentira. Como disse a deputada: estão mentindo para você. Em muita coisa.