RN tem oito terras indígenas com pendências; entenda
Natal, RN 6 de jun 2026

RN tem oito terras indígenas com pendências; entenda

24 de julho de 2024
5min
RN tem oito terras indígenas com pendências; entenda
Ilustração: III Marcha das Mulheres Indígenas, setembro de 2023 | Foto: Maiara Dourado/Cimi

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O Rio Grande do Norte possui oito terras indígenas com pendências em seu processo de reconhecimento, segundo relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), organismo vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

No estado, uma terra (Sabi/Trabanda) ainda está com a pendência a identificar. Isso significa que ela está incluída na programação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para futura identificação e delimitação, com Grupos de Trabalho técnicos já constituídos.

Já outras sete não tiveram providências, de acordo com o documento. A classificação significa que as terras são reivindicadas pelas comunidades indígenas, mas não possuem nenhuma providência administrativa para sua regularização.

SituaçãoTerraPovoMunicípio
A identificar (1)Sagi/TrabandaPotiguaraBaía Formosa
Sem providências (7)Amarelão NovoPotiguara MendonçaNatal
Caboclos de AssúCaboclos de AssúAçu
Eleotério-CatuPotiguara do CatuCanguaretama, Goianinha
Lagoa do ApodiTapuias PaiacusApodi
Lagoa do TaparáTapuias TarairiúsMacaíba
Mendonça do AmarelãoPotiguara MendonçaJoão Câmara
Rio dos ÍndiosPotiguaraCeará-Mirim

Do total de 1.381 terras e demandas territoriais indígenas existentes no Brasil, a maioria (62%) segue com pendências administrativas para sua regularização, aponta a atualização da base de dados do Cimi. São 850 terras indígenas com pendências, atualmente. Destas, 563 ainda não tiveram nenhuma providência do Estado para sua demarcação.

Situação geral das terras indígenas no BrasilQuantidade%
Registradas: demarcação concluída e registrada no Cartório de Registro de Imóveis da Comarca e/ou no Serviço de Patrimônio da União (SPU)43231,3%
Homologadas: com Decreto da Presidência da República. Aguardando registro130,9%
Declaradas: com Portaria Declaratória do Ministério da Justiça. Aguardando homologação644,6%
Identificadas: reconhecidas como território tradicional por Grupo de Trabalho da Funai. Aguardando Portaria Declaratória do Ministério da Justiça473,4%
A identificar: incluídas na programação da Funai para futura identificação e delimitação, com Grupos de Trabalho técnicos já constituídos15711,4%
Sem providências: terras reivindicadas pelas comunidades indígenas sem nenhuma providência administrativa para sua regularização56340,8%
Reservadas: demarcadas como “reservas indígenas” à época do Serviço de Proteção aos Índios (SPI) ou adquiridas pela Funai, sem necessidade de estudo sobre ocupação tradicional785,6%
Com portaria de restrição: terras que receberam portaria da Presidência da Funai restringindo o uso da área ao direito de ingresso, locomoção ou permanência de pessoas estranhas aos quadros da Funai60,4%
Dominiais: de propriedade de comunidades indígenas211,5%
TOTAL1.381100,0%

O Rio Grande do Norte é o único estado da federação que ainda não possui nenhuma terra indígena demarcada e possui um caso de conflito relativo a direitos territoriais. É na terra Sagi/Trabanda, do povo Potiguara, onde há, de acordo com o relatório, uma morosidade na revisão dos limites da terra indígena.

O povo Potiguara do Rio Grande do Norte, no extremo sul do estado, na aldeia Sagi Jacu, trava uma batalha pela demarcação de suas terras desde 2007. A região de ocupação tradicional dos Potiguara é alvo de interesses de empresários do ramo de viveiros de camarão, bem como do setor de especulação imobiliária e turística, devido às suas belas praias litorâneas. 

Além disso, enfrentam constantes avanços das plantações de cana-de-açúcar na área, o que tem gerado conflitos e invasões em seu território. Em 2015, foi formado o GT que deu início ao estudo antropológico de reconhecimento e delimitação do território. O povo Potiguara pleiteia uma área correspondente a 24.566,10 hectares para sua demarcação. No entanto, em 2019, o GT foi abruptamente interrompido sem conclusão, alegando-se falta de recursos por parte da Funai. Desde então, a comunidade Potiguara vem lutando para que o GT seja retomado e o processo de demarcação concluído. As informações descritas acima, contidas no relatório, foram obtidas por meio de lideranças e do Cimi Regional Nordeste.

Em 2023, os maiores avanços, nacionalmente, ocorreram na constituição ou reestruturação de Grupos Técnicos (GTs) para a identificação e delimitação de terras indígenas, sob responsabilidade da Funai. É um indicativo, segundo o Cimi, da disposição do órgão em dar andamento à primeira etapa na regularização de demandas territoriais represadas há anos. 

“Contudo, os trabalhos avançam a passos lentos: apenas três relatórios de identificação e delimitação foram concluídos e publicados pela Funai em 2023”, alertou a entidade.

“A indefinição sobre o marco temporal torna impossível uma previsão acerca do cumprimento dos prazos estabelecidos nas portarias, na medida em que o governo hesita e utiliza a Lei 14.701/2023 como justificativa para não avançar nos procedimentos demarcatórios. Tal postura reflete-se, também, no fato de que nenhuma portaria declaratória foi publicada pelo Ministério da Justiça”, informou também o Conselho Indigenista Missionário.

RN teve dois indígenas assassinados em 2023, mostra relatório

A violência contra indígenas e os ataques aos povos originários continuam no Brasil, aponta relatório Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que mostrou que, no ano passado, dois indígenas foram assassinados no Rio Grande do Norte.

O relatório não traz mais informações sobre as vítimas no Rio Grande do Norte; mostra apenas que foram dois homens. Nos anos anteriores, o Cimi mostrou que o estado potiguar teve dois casos de assassinatos de indígenas em 2019, número que evoluiu para sete em 2020; passou para três em 2021 e em 2022 retornou para dois registros.

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